Uma refeição Mindfulness deverá ter em conta a premissa básica do Mindful Eating de que te encontras com fome física, e certo dos sinais de fome física que o teu corpo te envia. Assim sendo, uma “pausa” de alguns minutos é recomendável para esta te permitir entrar em contacto com o teu interior, com as tuas emoções e sensações. Caso reconheças algum conflito interno que não te permita usufruir da refeição com 100% presença é aconselhável tentares algo diferente, meditar, dar uma caminhada, ligar a um amigo ou mesmo ler um pouco, até conseguires algum equilíbrio interno, até te conseguires ancorar no momento presente.
A confeção e preparação da refeição, a escolha do prato, dos talheres, da toalha, todas estas etapas que precedem o ato de te alimentares são um modo de te conectares contigo própria. Atreve-te na cozinha, prepara a tua refeição e mesmo para a tua família, caso seja o caso, com amor e carinho. Elege ingredientes que por norma não compras, de preferência coloridos, para dar vida e sabor à refeição. Ousa experimentar receitas novas, sair da rotina. Observa os alimentos enquanto cozinhas, sente-lhes os odores, as diferentes texturas. Coloca uma música ambiente, decora a mesa como se tivesses visitas importantes, elege a tua melhor toalha, o serviço que guardas apenas para ocasiões especiais, porque quem é verdadeiramente importante és tu. Prioriza-te e mima-te em todos os aspetos relacionados com o ato de alimentação.
Os 5 sentidos estão envolvidos no processo mental de querermos o que queremos
e trabalham juntos numa complexa experiência sensorial,
permitindo-nos saborear a comida e formar uma memória agradável
que nos impele a repetir o momento (P. Collard e H. Stephenson)
Desconecta-te de todo e qualquer aparelho. A refeição é um tempo sagrado, abandona o telemóvel na sala (de preferência em modo silêncio), desliga a televisão. A companhia de outras pessoas é perfeitamente conciliável com uma refeição Mindful. Apesar de nas primeiras experiências aconselharmos o isolamento, de forma a minimizar ao máximo as distrações, ter companhia durante a refeição não é impeditivo de usufruíres da tua refeição ao máximo, tão pouco entrares em contacto com os teus sinais de fome e saciedade. É possível ir almoçar fora e ter uma conversa agradável com um amigo ao mesmo tempo que te alimentas de modo Mindful, apenas requer um pouco mais de experiência e adaptação à nova realidade. Com o tempo, alimentares-te de uma forma Mindful será a única forma natural que irás conhecer de te alimentares e não terás de fazer esforço absolutamente nenhum para o fazeres. Se nas primeiras experiências tudo parece mecanizado, robotizado, com o treino, a tua forma de encarares o alimento muda.

Senta-te confortavelmente na cadeira, realiza uma inspiração profunda e contempla a tua refeição. Apesar da visão não influenciar o paladar, ela tem um papel importante na perceção que temos dele, tal como a memória influencia as nossas escolhas alimentares devido à influência da visão que se prende com experiências passadas de cor e sabor. Não é por acaso que a famosa expressão “comer com os olhos” existe.
Com o auxílio do garfo, pega num pequeno pedaço e inala os odores que de lá transparecem.
Dica Mindful: experimenta pegar no garfo com a mão não dominante
para te obrigares a estar mais presente e apreciar tudo com mais calma.
O olfato é o sentido que mais se “liga” ao sabor dos alimentos. 75% do que percecionamos como sabor nasce, na verdade, do olfato, daí que a experiência olfativa tenha grande influência no desfrutar de uma refeição. Quando nos constipamos o olfato é fortemente influenciado na medida em que as moléculas olfativas não conseguem alcançar as células recetoras olfativas devido ao aumento de muco nas fossas nasais – o cérebro simplesmente não recebe sinais, tornando a refeição sensaborona! Quando o olfato não funciona, o paladar não é estimulado.
Coloca um pedaço de comida delicadamente na boca e pousa o garfo. Manter sempre os talheres na mão aumenta o impulso de alcançar mais uma porção de comida. Fechar os olhos neste momento poderá ajudar-te a manteres o foco. Ao mastigares, observa os movimentos do teu rosto e boca, como o alimento é mastigado e aprecia os sabores que sentes quando trincas o alimento. O toque é fundamental em todas as nossas experiências de vida e com a alimentação não poderia ser de outra forma. É ele que nos informa da textura, da temperatura, entre outras características, dos alimentos. O paladar é a junção dos sentidos, sobretudo do toque e do olfato. Quando comemos, as papilas gustativas da língua e do céu da boca enviam informação ao cérebro, que por sua vez comparara essa informação com a informação já armazenada, permitindo-nos deste modo fazer o reconhecimento do alimento.
Mastiga lentamente o alimento e atenta aos sons advindos do trincar e da mastigação. Como não poderia deixar de ser, a audição é igualmente importante no reconhecimento por parte do nosso cérebro do alimento ingerido. O som dá forma ao paladar, é uma espécie de “tempero musical”.
Finalmente, presta atenção à forma como o alimento "caminha" até o estômago. Certifica-te de que a respiração se mantém serena.
Repete os passos anteriores recorrendo a todos os sentidos para realmente apreciares o alimento. Fica atento às sensações de fome e de saciedade.
Com o tempo aprenderás a ouvir os sinais que o teu corpo te envia, de modo natural e consciente, e desta forma, conseguirás parar de comer quando te sentires confortavelmente satisfeito. No início dessa aprendizagem várias mensagens irão certamente escapar-te, mas com o treino o comer de forma automática ficará cada vez menos presente aquando a alimentação. Mesmo que por vezes comas demais, não te recrimines, esse reconhecimento é igualmente uma forma de progresso. Não utilizes rótulos para classificar o teu comportamento, foca-te sim na aprendizagem, por muito assustador que ao princípio possa parecer, ouvir o nosso corpo e confiar nas nossas escolhas conscientes do que comer e quando parar de comer é a única forma de nos reencontrarmos, de estabelecer uma relação saudável com a comida.
Usa compaixão e amor na forma como te tratas. Dialoga contigo como se estivesses a falar com uma criança que aprende os primeiros passos, de forma paciente e sem recriminações. Se durante muito tempo recorreste à comida como forma de compensação, uma fuga a um determinado sentimento ou emoção, o comportamento enraizou-se, é perfeitamente natural que essa mudança de comportamento requeira uma boa dose de paciência e compreensão.
O despoletar da tua curiosidade relativamente ao Mindful Eating significa que já te encontras no caminho da procura das respostas que tanto almejas encontrar, e que já se encontram dentro do teu interior.
É o 1.º passo para recuperares a confiança nas tuas escolhas alimentares, que ficou algures perdida no decorrer da tua vida. A confiança de que necessitas para ouvires o teu corpo e tomares decisões mais conscientes e saudáveis.
Ninguém o pode fazer por ti.
Ao abraçar o mindfulness, mais especificamente o Mindful Eating, irás aprender a (re)parar, a ouvir e reconhecer aquilo que é verdadeiramente importante para viveres uma vida plena!
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Contacta-nos, teremos todo o gosto em te ajudar a viver uma vida mais Mindfulness!