Mindful Eating aplicado às crianças

Mindful Eating aplicado às crianças

 

 

 

 

Numa altura em que vivemos hiperestimulados por experiências, muitas delas virtuais, como conseguir que uma criança desfrute verdadeiramente de uma refeição através de uma experiência sensorial ampla?

 

Um dos problemas que assaltam a família nos dias de hoje é a falta de tempo. A correria do dia a dia não nos permite desfrutar convenientemente das experiências, e a alimentação, como não poderia deixar de ser, não fica impune. Refeições rápidas, muitas das vezes feitas enquanto olhamos para o telemóvel, televisão, relatório que temos de entregar, etc. O nosso exemplo repercute-se nas crianças, que cada vez mais recorrem a acessórios como o telemóvel no ato de alimentação. Para além deste facto são constantemente bombardeadas com frases do género: “despacha-te senão a comida fica fria”, “a mensagem vai chegar ao cérebro e não vais ter fome”, se não comeres tudo não há sobremesa para ninguém” ou mesmo a frase cliché da turma da equipa do prato limpo: “há tantas crianças em África a passar fome”… negligenciando por completo o ritmo interno de cada criança. A criança nasce com a extraordinária capacidade de comer intuitivo, que, com o passar dos anos se perde, transformando-a num adulto perdido entre o que a sociedade dita que é saudável e o que verdadeiramente deseja comer. A conexão com o corpo perde-se algures e em muitos casos os episódios de comer compulsivo ou mesmo distúrbios alimentares surgem nos entretantos.

Um dos objetivos do Mindful Eating é inspirar e possibilitar novas experiências, novas formas de degustação em torno da perceção que temos da alimentação. Uma experiência completa deverá mexer e aguçar todos os sentidos por meio do paladar, avivar memórias, emoções, e envolver por completo o participante encaminhando-o à introspeção e à vivência de uma experiência única.

 

Quando foi a última vez que verdadeiramente te alimentaste?

Quando digo verdadeiramente falo 100% atento no ato de alimentação. Sem ver o telemóvel, olhar para a televisão, sem pensar em tudo e mais alguma coisa menos na comida que tens à tua frente. Quando foi a última vez que paraste para verdadeiramente prestar atenção ao seu prato de comida? As cores, as diferentes texturas, os odores.

O mundo está carente de experiências que nos levem à interiorização. Ao reencontro com o que realmente é verdadeiro, com os pés no presente, não no passado que já passou e muito menos no futuro que ainda há de vir.

 

Não julgues um alimento pela aparência!

Se a comida parece boa, é boa. A nossa perceção visual dita-nos o que comer, faz parte da evolução da espécie e é extremamente útil, mas chegamos a um ponto em que somos de tal maneira bombardeados com publicidade de alimentos pouco ou nada saudáveis com um aspeto delicioso, que optamos inevitavelmente por comida gordurosa e de fácil confeção em detrimento à comida natural: os olhos também comem. Se refletirmos um pouco e conseguíssemos anular este “chamamento”, estaríamos num bom caminho para mudar a experiência comportamental de alimentar da sociedade atual. É isso que propomos que experiencies com os seus filhos: uma refeição de olhos vendados!

 

 

 

Regras do Jogo

Neste jogo, deixa-os pegar na comida com as mãos, lambuzarem-se, de forma a tocar e cheirar vários alimentos, possibilita-lhes uma verdadeira refeição mindfulness, onde todos os sentidos estão presentes no ato da alimentação, tendo como principal objetivo expandir os seus horizontes gastronómicos.

Passo 1: Veste à criança uma roupa confortável, que ela possa sujar. Explica-lhe todo o processo incentivando-a a não retirar a venda em momento algum. Torna o jogo divertido e cativante para a criança e deixe-a completamente à vontade para eleger o local onde se irá sentar.

Coloca-lhe nos olhos uma venda.

Passo 2: Tem à mão diferentes alimentos, organizando-te previamente de forma a não deixar a criança ansiosa com o tempo de espera. Os alimentos que optares por utilizar depende única e simplesmente de ti, mas bons exemplos de alimentos são: cenoura aos palitos ou outros legumes, banana, maçã, frutas exóticas, queijo, chocolate preto, etc.

Passo 3: Guia a criança em todo o processo, tentando que ela vá descrevendo o que está a sentir. Primeiramente pegar com as mãos, sentir a textura, de seguida cheirar o alimento. Colocar entre os lábios e com muita calma colocar o alimento, degustando-o muito lentamente.

 

Algumas perguntas poderão ser colocadas de forma a aguçar a curiosidade da criança:

O que tens na mão?

É liso, rugoso, tem um cheiro forte,

é doce, amargo ou picante,

é duro, mole,

consegues lembrar-te de algum alimento que já tenhas comido

parecido com este que estás a comer?

 

Experiências gastronómicas para adultos

Se ficaste curiosa face ao jogo e não tens crianças, porque não fazer a experiência com um grupo de amigos? Reúnem-se para uma experiência gastronómica divertida e inclusive cada um poderá levar diferentes tipos de alimentos e pratos confecionados para os outros degustarem de olhos vendados.

Se preferires uma experiência a só já existem restaurantes em Portugal que realizam jantares sensoriais que têm exatamente como objetivo o despertar dos sentidos na degustação de uma refeição, envolvendo o cliente numa experiência única.

 

Vive de modo Mindfulness e faz as pazes com a comida!

 

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